terça-feira, 30 de abril de 2013

Um canto para Tijuca




Só vago por ruas
De uma tijuca
Estúpida e suja,
Onde andam pessoas
Com olhos em celulares,
Por uma Tijuca
Abençoada pela lua,
Desgraçada pela chuva.
Um bairro jaz jesuíta
Com igrejas de séculos
E belezas indescritíveis.
Caminho eu e meu cigarro
Em ruas cheias de passado,
Detentora de mil pecados.
Sim, sou desse bairro
De pretérito aristocrático,
Hoje rodeado de proletários,
Por pobres operários
Que moram em seus
Cumes mais altos

Só continuo vagando
Por esse bairro
Que não é só ruas,
Que também
É casa, vila e favela.
Sou de uma tijuca
Que ao subir
A estrada do Alto
Encontra-se
Uma floresta de Boa – Vista,
De natureza secular e soberana,
Sou desse bairro
Cheio de árvores,
Onde suas raízes
Lutam contra o concreto
De uma suja calçada Tijucana.

Sou  só nesse logradouro
Chamado Tijuca,
Mas sigo rodeando
Por o que de mais belo
Caminham pelas ruas
Desse bairro Tijucano;
São seios de tamanhos democráticos,
São pernas torneadas,
São bundas arredondadas,
Criando um rebolado gingado
Em mulheres de singularidades concretas,
Que carregam em si certo charme carioca,
Certa marra Tijucana.
Sim, sou desse bairro
Onde seus moradores
São impregnados
De uma nacionalidade bairrista
Que só quem é da Tijuca tem.

Faço de minha poesia
Um canto à esse bairro
Em que fui criança em suas ruas,
Em que fui jovem em suas lutas,
Onde sou adulto e amo
Suas ruas,
Suas lutas,
Suas grutas
De sabor feminino.
Para terminar não poderia
Deixar de enrolar-te
Tijuca, em um fino papel de seda
E tragar-te assim como
Fumo meu cigarro em suas luas.

Eduardo Andrade

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