Oh, metade
que tanto se afasta de mim,
Que tanto
insiste em não ser tanto
E que de tão
se achar pouco
Se perde
achando meu canto tristonho
Enquanto não
percebe que meu sonho
São reflexos
desses teus olhos
Que me faz
tão autônomo,
Tão
astrônomo desses teus sonhos meus.
Oh, pedaço
de mim que tão insistentemente se afasta de mim,
Que em
formas de embaraço desconstrói esse laço
No invés
desse compasso onde se desenha aquele arco
Que ancora
nosso barco depois de tantos descompassos,
Diante de
tantos episódios remotos
Que transgredem
nossos rótulos.
Metade que
não aceita ser pedaço de mim
Que se
afasta assustada com os olhos da minha face,
Com a
vontade que se estampa com toda pampa em minha cara.
Nesse teu
caso de corpo suave que transforma nosso passo
Em momentos
de enlaço que somente somos longe de nosso caso.
Faço apenas
laço ao redor desse teu torso
Que não se
enrosca em meu dorso.
Oh, pedaço
que não aceita ser metade de mim,
Que diante
de tanto tombo que tombamos,
Que diante
de tanto peso e esquecimento
Apenas
aumenta o tempo diante nosso momento
Atrasando em
nossa prosa a hora em que se aflora
A primavera
de nossa orbita.
Pedaço chato
que tanto nega ser metade de mim
Porque se
faz tão longe de mim
Nesse nosso
caso sem fim,
Nesse pedaço
de laço onde somos muito
Mais que a
soma de nossos pecados,
Onde somos o
resultado desse embaraço
Que tanto
desfaz nosso compasso?
Oh, metade
desgarrada de mim,
Pedaço de
mim tão longe de mim
Porque somos
assim;
Um tempo no
fim, um momento afim,
Uma poesia sem
fim?
Eduardo Andrade
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