segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pedaço desgarrado de mim

Oh, metade que tanto se afasta de mim,
Que tanto insiste em não ser tanto
E que de tão se achar pouco
Se perde achando meu canto tristonho
Enquanto não percebe que meu sonho
São reflexos desses teus olhos
Que me faz tão autônomo,
Tão astrônomo desses teus sonhos meus.
Oh, pedaço de mim que tão insistentemente se afasta de mim,
Que em formas de embaraço desconstrói esse laço
No invés desse compasso onde se desenha aquele arco
Que ancora nosso barco depois de tantos descompassos,
Diante de tantos episódios remotos
Que transgredem nossos rótulos.

Metade que não aceita ser pedaço de mim
Que se afasta assustada com os olhos da minha face,
Com a vontade que se estampa com toda pampa em minha cara.
Nesse teu caso de corpo suave que transforma nosso passo
Em momentos de enlaço que somente somos longe de nosso caso.
Faço apenas laço ao redor desse teu torso
Que não se enrosca em meu dorso.
Oh, pedaço que não aceita ser metade de mim,
Que diante de tanto tombo que tombamos,
Que diante de tanto peso e esquecimento
Apenas aumenta o tempo diante nosso momento
Atrasando em nossa prosa a hora em que se aflora
A primavera de nossa orbita.

Pedaço chato que tanto nega ser metade de mim
Porque se faz tão longe de mim
Nesse nosso caso sem fim,
Nesse pedaço de laço onde somos muito
Mais que a soma de nossos pecados,
Onde somos o resultado desse embaraço
Que tanto desfaz nosso compasso?
Oh, metade desgarrada de mim,
Pedaço de mim tão longe de mim
Porque somos assim;
Um tempo no fim, um momento afim,
Uma poesia sem fim?


Eduardo Andrade

Nenhum comentário:

Postar um comentário