terça-feira, 16 de julho de 2013

A palavra da poesia

Palavras inconcebíveis para a realidade
São palavras de precisão poética,
Constituem o sentido daquilo
Que não pode ser traduzido
Com palavras cotidianas.
Por isso que a poesia,
Talvez seja, um conglomerado
De palavras insignificantes,
Um amontoado de palavras
Que rimam os pés que pisam a vida,
Que marcam os baralhos já tão gastos.
Poesia é palavra escrita
Com precisão de sentido
Imprevisíveis aos ouvidos,
É palavra não dita
Contida nos calabouços da garganta,
Reprimida numa cabeça que nunca canta.
Palavras cotidianas
São palavras invisíveis
Para os ouvidos
Saem das bocas sem sentido
E se perdem no ar
Com gemidos e suspiros.
Sendo assim não precisa a poesia
De palavras vazias,
Ela necessita da incompreensão
Para que faça sentido
O grito que se esconde
Por trás da palavra escrita.
A poesia é a palavra escrita,
Muitas vezes desprovidas de rima,
Que se formam em esquinas,
Em mesas de copos vazios,
Na poeira que se acumula
Nas prateleiras onde deixamos
As palavras pisadas pela vida.


Eduardo Andrade

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