Palavras inconcebíveis
para a realidade
São palavras
de precisão poética,
Constituem o
sentido daquilo
Que não pode
ser traduzido
Com palavras
cotidianas.
Por isso que
a poesia,
Talvez seja,
um conglomerado
De palavras
insignificantes,
Um amontoado
de palavras
Que rimam os
pés que pisam a vida,
Que marcam
os baralhos já tão gastos.
Poesia é
palavra escrita
Com precisão
de sentido
Imprevisíveis
aos ouvidos,
É palavra
não dita
Contida nos
calabouços da garganta,
Reprimida numa
cabeça que nunca canta.
Palavras cotidianas
São palavras
invisíveis
Para os
ouvidos
Saem das
bocas sem sentido
E se perdem
no ar
Com gemidos
e suspiros.
Sendo assim
não precisa a poesia
De palavras
vazias,
Ela necessita
da incompreensão
Para que
faça sentido
O grito que
se esconde
Por trás da
palavra escrita.
A poesia é a
palavra escrita,
Muitas vezes
desprovidas de rima,
Que se
formam em esquinas,
Em mesas de
copos vazios,
Na poeira que
se acumula
Nas prateleiras
onde deixamos
As palavras
pisadas pela vida.
Eduardo Andrade
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